Sunday, 12 July 2009

metade da minha vida


hoje é dia de lembrar saudades. é dia de perceber que quando alguém morre, a falta que esse alguém nos faz nunca desaparece, nem diminui, nem acalma. apenas se transforma. se harmoniza com os restantes elementos do quotidiano. mas não desaparece, nem diminui, nem acalma. hoje é dia de saber que metade da minha vida foi vivida com ela e outra metade já existe sem ela. e ela está sempre presente. a falta que me faz não desaparece, nem diminui, nem acalma. apenas se transforma. às vezes aparecem borboletas brancas. às vezes acendem-se os candeeiros à minha passagem. acontece a todos, sei que sim. mas eu presto atenção. porque às vezes é para mim. e mesmo que a falta do riso e do abraço e do mimo de mãe-que-há-só-uma que não desapareça, nem diminua, nem acalme, hoje é dia de lembrar o último desejo realizado. 14 anos passados. e a saudade não desaparece, nem diminui, nem acalma.

Friday, 10 July 2009

Tus ojos


Tus ojos son la patria del relámpago y de la lágrima,
silencio que habla,
tempestades sin viento, mar sin olas,
Pájaros presos, doradas fieras adormecidas.
topacios impíos como la verdad,
otoño en un claro del bosque en donde la luz cantaen el hombro
de un árbol y son pájaros todas las hojas,
playa que la mañana encuentra constelada de ojos,
cesta de frutos de fuego,
mentira que alimenta
espejos de este mundo, puertas del más allá,
pulsación tranquila del mar a mediodía,
absoluto que parpadea,
páramo.


Teus Olhos

Teus olhos são a pátria do relâmpago e da lágrima,
silêncio que fala,
tempestades sem vento, mar sem ondas,
pássaros presos, douradas feras adormecidas,
topázios ímpios como a verdade,
outono numa clareira de bosque onde a luz canta no ombro
duma árvore e são pássaros todas as folhas,
praia que a manhã encontra constelada de olhos,
cesta de frutos de fogo,
mentira que alimenta,
espelhos deste mundo, portas do além,
pulsação tranquila do mar ao meio-dia,
universo que estremeca,
paisagem solitária.

Octavio Paz, in "Liberdade sob Palavra"
Tradução de Luis Pignatelli

Tuesday, 7 July 2009

Monday, 6 July 2009

Ferdy

Estava eu sentada no meu sofá, navegando por aí sem rumo nem percurso definido, quando de repente aparece diante de mim este pequeno tesouro da infância. Lembram-se? Ferdy era apaixonado pela Joaninha Gwendoline e tinha um cão muito engraçado. Que inesperada surpresa! Não resisto a partilhar pelo menos o genérico. Quem conhece há-de gostar de recordar. 


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