Monday, 6 August 2007

o fim




a morte de alguém próximo
mesmo que seja apenas uma proximidade afastada
faz-nos sentir sempre a insustentável leveza
da fragilidade da máquina humana

somos pó


e sentir isso na pele
é pesado como chumbo

como amarras
no rosto

sim
saber que alguém morreu
que alguém real
(e não do mundo desconhecido)
morreu
é ter que aceitar
é ter que saber
que morreremos também


saber que alguém morreu
é assinar um pacto com o próprio fim
por muito poucos laços que se tenha com essa pessoa

é ver
diante de nós
o fim último de existir
.

(imagem de Gabriel Pacheco)

14 comments:

joao said...

farol preto,
farol branco
farol preto,
farol branco
farol preto,
farol branco
farol preto,
farol branco
farol preto,
farol branco
farol preto,
farol branco

Nês said...

É terrível conceber um mundo sem essa pessoa, é como se não fosse possível! Mas o tempo cura td e tmos é q aproveitar bem cada pedacinho de vida conosco e com os outros :)

Beijinhos e muntos gengibres

eyes shut said...

somos todos de uma fragilidade comovente, porque hoje estamos juntos e amanhã, talvez não.
o fim e o princípio sempre a acontecerem no mundo... assim é o oceano de que somos feitos. dias de água calma a abraçar-nos o corpo e dias de mar alto a ensinar-nos a não naufragar...
esperam-nos dias felizes, que se tornarão em séculos dentro de nós e saberemos sorrir...*

"...smile, though your heart is aching
smile, even though it's breaking..."

*

isabel said...

"When there are clouds in the sky, you'll get by."

apesar de tudo, temos o amor.
mais forte do que a morte.
farol. fogueira acesa. luz divina.

[ "viva o amor". vivamos o amor ]

até que ela chegue e nos leve para o outro lado. numa amorosa embriaguez...

"You'll find that life is still worthwhile
If you just smile"

isabel said...

[ espumareiasalamorati ]

candido.filho said...

A morte é um fato. Vivemos com ela a espreitar nossos rumos. Cabe a um dia ser aquele em que ela nos chama a passeio e não voltamos mais. O vazio que fica, dói. Dói tanto que o coração às vezes parece desistir de bater, cançado. Mas o tempo alivia, morfina em doses homeopáticas, e dias se tornam semanas, depois meses, depois anos, e esquecemos da sombra dela, sempre rodando até o dia em que ela nos chama a passeio e não voltamos mais.

Flávia Vida said...

ai a morte...a única certeza que temos dessa vida mas, mesmo assim, não nos acostumamos com ela...
ontem mesmo estava a pensar: muito estranho você ter com a pessoa sempre, saber que ela está ali, e um dia, um dia cinzento, triste e frio, ela não mais está...

c'est la vie...
beijocas

Erik Ess Mishkin said...

empático...

Breno said...

'é ter que aceitar
é ter que saber
que morreremos também'
de fato.
obrigado pelas palavras também.

e tu chega! chega e bem perto! há ânsias deste lado d'oceano?
é um prazer te conhecer, antes de mais nada.

Fernando said...

morir será la espera, ahora ahondemos en la arena y caminemos lejos...besos

Poeta da Lua said...

ter a morte em todos os momentos do viver dói... inda mais de laguém tão perto... já dói a morte de um livro que se perdeu...
de um lápis de cor que se acabou...
de alguém que viajou pra longe... ou esta bem perto... ms distante em presença...
enfim dói a morte... e vai levando um pouco de nós...
um abraço e um sorriso!

petroy said...

é devastador e triste ... muito triste ...

Cláudia said...

Uma derradeira tristeza profunda... :(

**

starfish said...

gostei muito muito, obrigada