Thursday, 25 June 2009

cinco mangas

Oito da noite (aqui os dias não são tão longos como em casa). Oito e pico. Ilha de Santiago, cidade da Praia. Café Sofia: esplanada. O computador ligado em cima da mesa absorve quase toda a minha atenção quando, de repente, sinto uma mão pequenina a puxar-me o vestido. “temos fome!” diz a porta-voz de quarto meninas de pele negra, negra, negra. Olho para cada uma delas. Uma ainda é bebé de fralda. Sorrio e digo: “não tenho dinheiro mas tenho mangas… querem?”. Abrem-se sorrisos e iluminam-se os olhos de todas elas. “Sim, sim!!!” A bebé faz que sim com a cabeça. Dou uma manga a cada uma. Agradecem e correm de volta para as brincadeiras, junto às mães que vendem pequenezas na praça. Passados poucos minutos, arrumam as coisas e vão embora. Todas elas me acenam, de mangas na boca, e sorriem. E eu sorrio de volta e digo “até amanhã!”.

E o sorriso não se desfaz. Porque a beleza está nos pequenos segredos, nas pequenas histórias, no imbatível encanto da simplicidade. Porque quarto meninas de pele negra, negra, negra deixam-me uma manga para eu comer também.